Textos teatrais, contos, crônicas, poemas, artigos, radionovelas e muito mais. Meu cantinho virtual onde exponho minhas obras e àquilo em que acredito.
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sexta-feira, 13 de junho de 2014
segunda-feira, 15 de abril de 2013
CENTRAL DE POLÍCIA
A série Central de Polícia, de Paulo Montenegro foi transmitida pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, no ano de 1987. Consegui cinco episódios deste programa, que posto aqui para a posteridade.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
SHOW DO RÁDIO FOI UM SUCESSO
Depois de um mês e meio de intenso trabalho, focado nos preparativos, em parceria com o José Rubens Incao (a quem agradeço imensamente, pelo empenho - sem ele o projeto não vingaria), e com outros artistas, aconteceu nesta quarta-feira, dia 3 de outubro, o Show do Rádio, no quintal da Biblioteca Infantil de Sorocaba, debaixo da lona do Circo Guaraciaba. Um público de aproximadamente 250 pessoas, compareceu ao local, lotando as cadeiras e arquibancadas.
A apresentação, cujo objetivo era o de remeter os espectadores a Era de Ouro do Rádio, reproduziu o que acontecia em antigos programas de auditório da Rádio Nacional do Rio de Janeiro e da PRD-7, a Rádio Clube de Sorocaba (hoje, Rádio Boa Nova), e também para comemorar aos 90 anos de Rádio no Brasil.
O show foi apresentado pelo ator Vicentini Gomes (que aproveitou uma folga das gravações da novela Avenida Brasil, onde interpreta o sequestrador de Carminha, de Adriana Esteves para comparecer ao evento), e contou com as participações dos cantores Márcia Mah, Jurema Nascimento, Tito, do curureiro Donizete e de Isaíra Caruso, cantora de rádio desde a emissora PRD-9, e do grupo Entre Amigos. O homenageado da noite foi José Desidério, um dos radialistas mais antigos de Sorocaba.
O Núcleo de Radioteatro da Cia. das Artes Dramáticas, composto por Adacel Alberto, Carmem Lara, Cledemir Araújo, Dado Carvalho, Fábio Mendes, Ivone Martins e Quitéria Maria, também esteve presente, apresentando os contos radiofônicos Maria do Habiteto (uma sátira da novela mexicana Maria do Bairro, para mostrar ao público, como são executados os efeitos sonoros, como trovões, trotar de cavalos, incêndio, etc.), o drama Inocência e a comédia O Anel. Os três contos foram escritos e dirigidos por mim.
Numa das salas da Biblioteca, estão expostos 34 aparelhos de rádio (todos eles funcionando), das décadas de 20 e 30, do colecionador Daniel Matucci, que permanecerão até o dia 11 de outubro para visitação pública, com entrada gratuita.
Segue abaixo algumas fotos do evento.
Obrigado a todos que contribuíram conosco. E que venham outros eventos deste quilate..
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Márcia Mah e Jurema Nascimento cantando As Cantoras do Rádio
Dado Carvalho, Adacel Alberto (ao fundo) e Fábio Mendes em Inocência
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
90 ANOS DE RÁDIO NO BRASIL
Apesar da transmissão durante a celebração do centenário da Independência, o início efetivo e regular das transmissões do rádio ocorreu somente no ano seguinte, mais uma vez graças ao esforço de Roquette Pinto. Ele tentou em vão convencer o governo a comprar os equipamentos da Westinghouse, que permitiram a transmissão experimental. A aquisição foi feita pela Academia Brasileira de Ciências, e assim entrou no ar, em 20 de abril de 1923, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.
A emissora pioneira é a atual Rádio MEC, que foi doada pelo próprio Roquette Pinto ao Ministério da Educação em 1936. Nesse ano, também foi fundada, a princípio como emissora privada, a Rádio Nacional, que seria incorporada ao patrimônio da União na década de 40.
Para Sonia Virginia Moreira, professora de comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e autora de livros sobre a história do rádio, a década de 20 foi o chamado período experimental do veículo. “Era experimental em termos de programação, sobre o que se podia fazer no rádio, mas muito interessante em termos de organização do meio. Como não havia nenhuma história, nenhuma memória do meio, o que se fez num primeiro momento foi organizar as pessoas ou as pessoas se organizarem”, destaca. "O resultado foi a constituição de grupos e associações que se reuniam em torno do rádio”, acrescentou. Esses grupos e associações eram formados por pessoas que emprestavam discos para as emissoras. “As rádios ficavam poucas horas no ar, porque os transmissores não tinham capacidade de transmitir durante muito tempo”, conta a professora.
Nessa fase, o rádio não era nem público e nem comercial, mas sim um meio comunitário. “As emissoras se organizavam para suas transmissões experimentais em torno dos chamados rádio-clubes”, ressalta Sonia Virginia. “Por isto, até hoje muitas emissoras criadas nessa época, em todo o país, têm a denominação de Rádio Clube, porque se constituíam, na verdade, em clubes de ouvintes,”explica.
A era do rádio comercial surge a partir de 1932, quando o presidente Getúlio Vargas, através do Decreto 21.111, autorizou as emissoras a ter até 10% de sua programação sob a forma de publicidade. “Até então, o rádio era sustentado apenas por contribuições de seus próprios ouvintes, que eram os mesmos que ajudavam a fazer a programação.”
Com a permissão da publicidade, se plantou a raiz do modelo de rádio que a partir da década de 40 se consolidou no país, o do veículo comercial, conforme a professora. “Naquele momento, marcado pela Segunda Guerra Mundial, os americanos passaram a influenciar não só a programação como o próprio modelo de rádio feito no Brasil, eminentemente comercial, a exemplo do que se fazia nos Estados Unidos”, diz a co-autora, junto com Luiz Carlos Saroldi, do livro Rádio Nacional: o Brasil em Sintonia e organizadora da História do Radiojornalismo no Brasil.
Passados 90 anos, a internet permite, de certa forma, um retorno às origens do rádio. “Montar uma web rádio hoje é muito fácil, com a vantagem de que você não precisa se organizar em clubes ou associações. Cada um pode ter sua própria rádio”, avalia a professora.
Abaixo, modelos de rádios dos anos 20 aos anos 2000.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
HISTÓRIA DO RÁDIO NO BRASIL
Programa Globo Repórter, exibido em1983, sobre os 60 anos do Rádio. Interessantíssimo. Vale a pena conferir.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
REVIRANDO O BAÚ
Mexendo nos meus alfarrábios, acabei encontrando um texto de radionovela que escrevi para a aula do querido professor Jorge, da Faculdade Mozarteum, onde estudei. Pode-se dizer que foi o meu primeiro roteiro radiofônico. Não mudei absolutamente nada, apenas escaneei o trabalho, que segue abaixo. Isso tem 12 anos, tá? Não é grande coisa, mas me diverti lendo
OS ATORES ENTRAM AFOBADOS NO ESTÚDIO. BURBURINHOS ENTRE ELES. O SONOPLASTA E O CONTRARREGRA OCUPAM OS SEUS POSTOS. SOA A CAMPAINHA. TODA A EQUIPE DÁ UMA RÁPIDA OLHADELA EM SEUS PAPEIS. ALGUNS ATORES AQUECEM A VOZ, OUTROS FALAM O TEXTO COM UMA CANETA NA BOCA, ETC. A LUZ DA PLACA “NO AR”, SE ACENDE
SONOPLASTIA - MUSICA DE FUNDO, DE PREFERÊNCIA AQUELAS QUE CONTEM CHIADOS
NARRADOR - A Rádio Nacional Zacadulhoraca tem a honra de apresentar o último capítulo de sua radionovela: "SANGUE LATINO" ou "SANGUE NO ZÓIO”...
SONOPLASTIA - VINHETA DE ABERTURA
NARRADOR - (CONTINUANDO) ...de autoria de António Fernandez, sob a direçao de Francisco Sanches. (T) No decorrer dos 520 capítulos dessa história, Perla Chiquita ficou dividida entre os irmãos Pedro Manuel e Carlos Alberto. Passou esse tempo todo trocando juras de amor entre um e outro. (T) Mas o destino é cruel, une e separa as pessoas... (T) No penúltimo capítulo, Perla Chiquita marcou um encontro secreto com Carlos Alberto numa cabana abandonada de beira de estrada, onde iriam fazer planos para fugirem, mas Guadalupe, uma criada dos Amarante Chaves, ouviu a conversa de Perla Chiquita com Carlos Alberto e comunicou o fato para Pedro Manuel, que, sentindo-se enganado, foi verificar o fato. Era uma tarde chuvosa...
CONTRARREGRA - RUÍDOS DE TROVÕES FEITOS COM PLACA DE METAL, SEGUIDOS DE CHUVA (ROUBAR O PAU DE CHUVA DA PROF. GENNY)
NARRADOR - Pedro Manuel chegou até a cabana montado em seu cavalo
CONTRARREGRA - TROTAR DE CAVALOS (FEITO COM DOIS COCOS), MESCLADO COM A CHUVA
NARRADOR - Quando abriu a porta...
CONTRARREGRA - PORTA RANGENDO
NARRADOR - (CONTINUA)deparou-se com uma cena aterrorizante ...
SONOPLASTIA - ACORDE DRAMÁTICO
NARRADOR - Perla Chiquita e Carlos Alberto estavam se beijando
CONTRARREGRA - RUÍDOS DE BEIJOS "SMACK", "CHUMPLIGHT"...
SONOPLASTIA - AGULHADA ALTA/CAI A FADE-OUT.
NARRADOR - E agora vamos para os nossos comerciais e em um minuto estaremos de volta com o último capítulo de "SANGUE LATINO" ou "SANGUE NO ZÓIO"
SONOPLASTIA - ACORDE/FUNDE TEMA PARA COMERCIAL/ MUSICA DE COMERCIAL DE QUINTA CLASSE, DE PRODUTOS DE BELEZA.
ATRIZ 1 - (FAZENDO A CENA COMO GAROTA PROPAGANDA. VOZ SEXY) Oi, estou falando com você, mulher...
ATRIZ 2 - (FINGE ESPANTO) Eu??????????????
ATRIZ 1 - É, você mesma que está sentindo os lábios da sua vagina ressecados...
ATRIZ 3 -...seus lábios precisam de hidratação e lubrificação. Por isso use o sabonete "BANHO-TCHECO". Você vai ficar toda molhadinha...
SONOPLASTIA - JINGLE
TODAS - SABONETE "BANHO-TCHECO", um carinho para a sua xota.
SONOPLASTIA - ACORDE/VINHETA DE VOLTAMOS A APRESENTAR
NARRADOR - Voltamos a apresentar: "SANGUE LATINO" ou "SANGUE NO ZÓIO"
CONTRARREGRA - CHUVA E TROVÕES
PEDRO MANUEL - (MELODRAMÁTICO, EXAGERADO) Não posso acreditar no que eu estou vendoooo...
PERLA CHIQUITA - (ASSUSTADA, DESESPERADA, TUDO MUITO OVER) Pedro Manuel???
PEDRO MANUEL - (RANGENDO OS DENTES) Estúpidos! Traidores!
CARLOS ALBERTO - Calma, meu irmão. Nós vamos te explicar.
PEDRO MANUEL - Eu não preciso de nenhuma explicação, seus imundos.
CONTRARREGRA - RUÍDO DE TAPA
PERLA CHIQUITA - (CHORANDO) Você me bateu?!
PEDRO MANUEL - Você merecia muito mais, sua cadela...
CARLOS ALBERTO - Não fale assim.
PEDRO MANUEL - Falo, sim.
CARLOS ALBERTO - Você está louco. Eu vejo faíscas saírem de seus olhos.
CONTRARREGRA - ACENDE UM ISQUEIRO UM POUCO ANTES DELA DIZER "FAÍSCA"/ UM LIQUIDO SENDO DESPEJADO NUMA CANECA
CARLOS ALBERTO - O que você vai fazer? Isso é querosene.
PEDRO MANUEL - Vou matar vocês dois.
PERLA CHIQUITA - (GRITANDO) Não. Pelo amor que você tem pelas Chiquititas, pela Luz Clarita e pelo Diário de Daniela.
CARLOS ALBERTO - É... e também pela Chispita, pela Kassandra, pela Maria Mercedes, Marimar e Maria do Bairro.
PEDRO MANUEL - Agora é tarde. Morram, seus desgraçados.
CONTRARREGRA - FÓSFORO SENDO RISCADO. EM SEGUIDA O RUÏDO DE UM INCÊNDIO FEITOS ATRAVÉS DE PAPEL CELOFANE
PERLA CHIQUITA - Socorro!
CARLOS ALBERTO - E agora, quem poderá me ajudar?
PERLA CHIQUITA - (CHAMANDO) Chapolin Colorado!
PEDRO MANUEL - Vocês vão juntinhos para o inferno.
PERLA CHIQUITA - Sai daí, Pedro Manuel!
PEDRO MANUEL - Eu sou imortal....
PERLA CHIQUITA - Venha aqui, Pedro Manuel
PEDRO MANUEL - Nunca.
CONTRARREGRA - RUÍDO DE DESMORONAMENTO – SÓ BATER FORTE NUM PEDAÇO DE MADEIRA
CARLOS ALBERTO - Vamos sair daqui.
PERLA CHIQUITA - Mas e ele?
CARLOS ALBERTO - Agora é tarde. Ele está girando naquela ripa igual frango no espeto.
PERLA - E agora, o que faremos?
CARLOS ALBERTO - Vamos para Acapulco passar as férias com o Chaves.
PEDRO MANUEL - (BERRA) Ai, estou morrendo, socorro. (MORRE)
SONOPLASTIA - ACORDE DRAMÁTICO
CARLOS ALBERTO - Eu te amo.
PERLA - Eu também te amo...
CONTRARREGRA - RUÍDOS DE BEIJOS.
NARRADOR - E assim termina a nossa história de amor e ódio. E nesta segunda, você não pode perdar a nossa próxima história, "14 MESES DE ALUGUEL”, escrita por Ramon Valdez e dirigida por Maria Antonieta de La Nieves! Boa noite!
SONOPLASTIA - VINHETA DE ENCERRAMENTO.
FIM
Julio Carrara
10/05/2000
INTEGRANTES
GUNTHER – Contrarregra
JULIO – texto e direção
MANUEL – Carlos Alberto
MÔNICA – Perla Chiquita/Atriz 3
RODNEY – Pedro Manuel
ÚRSULA – Narradora/Atriz 2
ZULEIKA – Atriz 1
sábado, 5 de maio de 2012
ARQUIVO RARO
Ivan Dias Jr. compartilhou comigo este arquivo raro com um trechinho da programação da extinta Rádio Clube de Sorocaba, hoje Rádio Boa Nova, material que, infelizmente, não existe nos arquivos da atual emissora (como muitas radionovelas e outros programas que entraram em órbita), ou se existe, está em alguma caixa juntando poeira e jogada em algum canto do almoxarifado. Belíssimo resgate, Ivan.
O blog de Ivan é
ivandias.wordpress.com
Tem um material bem bacana lá. Agora ouçam.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
TÍLBURI DE PRAÇA - RAUL POMPÉIA
Não encontraram por aí minha mulher?... É original. Desde que me casei... Eu por uma porta, ela por outra. Só nos encontramos uma vez frente a frente com vontade. Eu entrava por um lado, ela entrava por outro...
A nossa vida de casados é uma verdadeira questão aberta. Entrar e sair é tudo a mesma cousa. Acontece, porém, que ela está sempre fora e eu nunca estou dentro.
Já me disseram: Cuidado, João, tua mulher tem amantes... Eu estou de olho... Não há perigo. Olhem, aqui em casa eles não me passam a perna...
Na rua eu a espio... Onde ela entra entro eu atrás.
Casei, todos sabem, não foi por dinheiro: tenho os meus prédios. Casei por paixão, ou antes, por compaixão. Vi-a no seu véu tristezinho de viúva, com uns olhos pretos por baixo, que não tinham nada de luto, valha a verdade. Olhou para mim docemente. Eu tenho os meus prédios... Lembrei-me deles com orgulho, diante daquela formosíssima soledade. Comecei a gostar dela. Um homem depois de cinqüenta não namora; os dedos estão perros para o bandolim das serenatas, o luar dos balcões tem reumatismos. Desde que há meia dúzia de prédios, é logo casamento...
Foi o diabo... Logo na igreja, dei com a viuvinha olhando um convidado... Eu, viúvo de uma mulher como eu tive, boa, gorda, pacata, amiga do rapé e dos seus cômodos, casar com aquela figurinha saltitante, de olhos pretos, que logo ali, começava a pular-me fora do matrimônio... Estive quase a desmanchar tudo, na hora do recebo a vás... Não faz mal, pensei porém, gosto dela... que diabo! se casar com outra, não poderá suceder a mesma cousa? Vá! é um gosto ao menos. E atirei-me de cabeça no abismo... Matrimônio é assim. A primeira cousa que um marido deve comprometer é a cabeça... Para ficar logo atordoado. Senão, não casa...
Eu cravei um olhar na minha noiva.
Ia divina, num simples vestido roxo, que a vestia como se a despisse. Sorriu-me. Pareceu-me sentir, ao redor de mim, um turbilhão de abelhas douradas, brilhando e zumbindo. Casei-me...
Pois bem, daí para cá, é isto... eu por uma porta, ela por outra, em cabra-cega.
Às vezes, passamos um pelo outro. Ela a caminhar na sua vida, eu, na minha, espiando.
Ela sorri-me; eu disfarço, coro e vou seguindo para adiante.
Ora, meus senhores, não me dirão como hei de pegar minha mulher? ~ isto: Tempo-será-de-min-c-o-có!... Toda a vida.
Quanto a amantes, ela não tem. Isto eu lhes juro...
Vem cá em casa o tipo da igreja, o tal convidado do olhar... Mas eu estou de olho... Ele é bonitote, correto, conversa, graceja, tem uma maneirazinha faceira de não fazer caso de cousa nenhuma, como um filósofo.
Fuma um charuto de primeira qualidade, de linda fumaça azul, que faz letras no ar... Às vezes mesmo, em minha casa, ele recosta-se no terraço e fica a ler com uma expressão faceira, meio adormecido, as letras de fumo na atmosfera calma da tarde.
Até eu fico seduzido e aceito um charuto dos dele, e fico a fumar, ouvindo os bambus, as cigarras... Minha mulher, calada, ao nosso lado, ouve, como eu, as cigarras, e os bambus, conjugalmente. Mas eu conheço que ela gosta mais, extraconjugalmente, de ver as letras azuis do meu amigo. Assim ficamos, os três, recostados nas chaises-longues, bebendo crepúsculo.
Ela é a primeira que se levanta.
- Que insipidez! exclama. Ora a gente aqui calada, a ver fumaça de charuto!
E, então, agita-se como uma pata que sai da água, como um belo cisne, devia eu dizer, que acabasse de sair daquele imenso lago de morbidez em que nos perdíamos.
- Vamos passear! Vamos passear!
E, então, com uma graça que não sei com que comparar, põe-se a desfazer com o leque as letras azuis dos charutos.
Ah! a diabinha adorável! e não haver meio de eu encontrá-la!... Ora, será porque eu não lhe agrado? Mas há agrado que eu, mesmo de longe, não lhe faço... Será porque eu não sou bastante?... Mas, que diabo! ela daquele tamaninho...
Mas, reatando, o tal amigo, das letras azuis, namora-a, namora-a, não há dúvida: mas é só namoro garanto-lhes... Depois, depois...
Depois eu estou de olho...
Não tenho repartição que me prenda... não tenho obrigação de hora certa... tenho os meus prédios... Posso espiá-la dia e noite... Não! amante ela não tem, posso afirmar... Pois se nem a mim mesmo ela quer!... É o seu mal... Quanto ao mais, é só passear, passear. O que a perde é o passeio.
Mas por que não nos encontramos nós no matrimônio? Por que diabo ela quebra esquina, quando me vê em frente e deixa-me com cara de burro em plena rua-da-amargura, em plena rua-do-sacramento, devera eu dizer?!...
Já visitei uma sonâmbula:
Por que não há meio de encontrar minha mulher?
- Espie, disse-me ela.
- Tenho espiado... Ainda, outro dia, entrou ali numa modista, onde vai muito... Perguntei por ela. Acabava de sair pelo outro lado. A casa tem duas frentes. Examinei... O lugar mais sério deste mundo!... Daí a pouco, um amigo, (o mesmo das fumaças, por sinal) disse-me que tinha estado ali com ela, que a vira ensaiando um chapéu...
Contei à cartomante a nossa vida, mais ou menos, a minha vigilância...
A tal pitonisa era uma esperta gorducha, de bochechas vermelhas e grande pasta de cosmético na testa como uma aba de boné... Sorriu-se. Retirou-se a deitar cartas, num gabinete obscuro. De volta, falou-me simbolicamente, com alguma pimenta de malícia na voz.
- Meu senhor, o coração da mulher é uma cousa complicada. Não se pode estudar e definir de uma só maneira, mas no ponto da sua consulta, eu creio que não erro, com esta exposição da minha experiência: Há corações fechados que são como portas de que se perde a chave. Ninguém lhes entra, sem que um milagre da sorte ensine como. Então, é a imensa ventura. Há corações de uma só porta, como as casas seguras, onde a gente entra, sem custo instala-se, faz família dentro, e aí chega a netos tranqüilamente. Há corações de duas portas, que dão entrada a um afeto pela frente, diante da sociedade; a outro afeto pelos fundos, diante da indiscrição da Candinha e seus filhos. O segredo destes amores de acordo é possível; mas, às vezes, mesmo sem segredo eles são felizes. Há corações hotéis, onde todo o mundo entra, escandalosamente, quase simultaneamente, pagando à parte o seu cômodo, sem grande intriga, nem ciúmes. Há corações bodegas, que é um horror...
Mas, há uma espécie curiosa de corações, um produto das sociedades desenvolvidas, para a qual chamo a sua atenção: é o coração volante, e o coração rodante, que aceita amor, mas que não fixa, daqui para ali, a tanto por hora, a tanto por mês, o coração tílburi de praça, que aceita o passageiro em qualquer canto, que dobra a esquina, que corre, que pára, que vem, que desaparece, que passa pela gente às vezes, juntinho, sem que se possa ver quem vai dentro...
Eu compreendi vagamente. A cartomante queria chamar minha mulher de tílburi. Ora minha mulher um tílburi!...
Pedi que esclarecesse.
- Nada mais lhe digo. Saiba entender...
Ora bolas!... E, fiquei na mesma, com a metáfora da consulta e com a minha querida mulher que eu não tenho, que é entrar eu por uma porta ela sair por outra, como um fim de história de meninos.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
HISTÓRICO DA RÁDIO BOA NOVA
Segue aqui a trajetória da Rádio em que trabalho, roteirizando radionovelas.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
RADIO NACIONAL
Trecho do documentário produzido pelo SESC-TV sobre a Radio Nacional. Aqui vai um trechinho do documentário em que fala da radionovela. Muito legal
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
MISTÉRIOS DA VIDA
Hoje estreia a minha radionovela "Mistérios da Vida", que será exibida pela Rede Boa Nova de Rádio, a partir das 17h30.. Basta sintonizar em 1080 AM (se estiver em Sorocaba), 1450 (São Paulo e Grande SP) ou pela internet. O endereço é
www.radioboanova.com.br
Pode ouvir ao vivo ou gravado. E comentem depois comigo.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
MISTÉRIOS DA VIDA
Hoje tiveram início as gravações da minha nova radionovela "Mistérios da Vida", com a mesma equipe que já participou das minhas radionovelas anteriores. Nunca tinha entrado num estúdio de rádio pra assistir as gravações e não imaginava que fosse tanta loucura... Sem contar que a equipe é fantástica. Todos muito simpáticos e disponíveis - coisa rara de se encontrar hoje em dia. Foi um dia muito especial. E em breve o trabalho estará no ar.
domingo, 21 de março de 2010
MIRANDOLINA
Encontrei no 4shared esse radioteatro da obra de Carlo Goldoni. E como já disse, tudo o que acho interessante, posto aqui. Ah, um detalhe, o trabalho está em espanhol.
sexta-feira, 19 de março de 2010
PLUFT, O FANTASMINHA
Pluft, o Fantasminha é uma obra-prima do teatro infantil. Particularmente, não gosto dos textos de Maria Clara Machado, mas esse trabalho, em especial, me atrai muito. E o trabalho dos atores que não trataram as crianças como debilóides
VITÓRIO E MARIETA
Ultimamente tenho dedicado parte do meu tempo em fazer pesquisas de programas de Rádio. Já escrevi três radionovelas e acho esse universo sonoro fascinante, pois temos apenas o recurso auditivo. Para mim esses três trabalhos foram um grande desafio. Sou de teatro, quem conhece meus trabalhos sabem que como encenador valorizo muito o visual do espetáculo. Mas enfim...
Encontrei 4 episódios da série humorística Vitório e Marieta, que posto aqui, É um trabalho fantástico. Um humor fino, inteligente, diferente do humor grosseiro e alienado de diversas produções que estão por aí emburrecendo cada vez mais as pessoas. Bom divertimento.
segunda-feira, 15 de março de 2010
TANCREDO E TRANCADO
Radioteatro da Rádio Nacional. Série TANCREDO & TRANCADO de Ghiaroni (da década de 1950), em 22 episódios
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