Textos teatrais, contos, crônicas, poemas, artigos, radionovelas e muito mais. Meu cantinho virtual onde exponho minhas obras e àquilo em que acredito.
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sexta-feira, 26 de agosto de 2016
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
MÁRCIA
Programa escrito por mim para a série Contos no Rádio com direção de Fabiano de Freitas, produção de Nely Coelho, trilha original e sonoplastia de Leo Tucherman e no elenco: Joice Marino, Maurício Lima, Marília Martins, Luiz Octavio Moraes e Nely Coelho. Exibido pela Rádio Nacional e pela Rádio MEC do Rio de Janeiro, em 23 de agosto de 2014.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
ALGUNS "CLICKS" DO EVENTO EM COMEMORAÇÃO AO DIA DO RÁDIO
MAIS RESPEITO, POR FAVOR!
Há algum tempo venho observando o comportamento, melhor dizendo, o mau comportamento do público em nossos teatros. Sinceramente, gostaria de entender o que se passa na cabeça de uma pessoa que sai de casa, vai ao teatro, senta-se na poltrona e assim que o espetáculo tem início, o infeliz, de cabeça baixa, presta mais atenção na porra de seu celular do que na peça em si; ou aqueles que se levantam para ir ao banheiro, para fumar, para tomar água e depois volta, para minutos depois repetir o mesmo procedimento. Se não está gostando, levante-se, saia e não volte mais. É tão simples quanto mudar de canal ou desligar a TV.
Será que essa criatura não consegue sossegar o cu numa poltrona durante uma hora ou duas?
Acho que esses imbecis pensam que estão nas salas de suas casas e que podem fazer o que querem: falar ao celular, abrir uma lata de cerveja, peidar, arrotar...
ACORDA, CAMBADA.
Não sei se sabem, mas o ator, quando está em cena precisa de muita concentração e qualquer ruído que façam na plateia, eles ouvem. Não há concentração que resista. Sim, nós, atores, temos audição e visão. Vemos e ouvimos. Sacaram isso? Ou não?
Se tem uma coisa que me deixa furioso é ver alguém falando ao celular, neguinho tirando papel de bala ou devorando amendoins japoneses e coisas do tipo. A vontade que tenho é de interromper a cena, olhar para o desgraçado e dizer:
- Escuta aqui seu filho da puta, vamos trocar de lugar? Você sobe no palco e eu vou para a plateia fazer exatamente o que você está fazendo. Quer sentir na pele o que eu sinto quando me deparo com idiotas iguais a você?
Mas, infelizmente, não dá para fazer isso. Tem que seguir adiante. Por mais que a gente respire fundo, aquela raiva começa a dar um nó em nossas tripas e a vontade que temos é a de acabar logo a merda daquela sessão para grudar na garganta do desgraçado que com sua falta de bom senso, nos atormentou o tempo todo.
MAIS RESPEITO, POR FAVOR!
Ah... esqueci que certas palavras caíram em desuso, como por exemplo: “Por favor, obrigado, com licença, pode passar na frente..."
Respeito? O que é respeito? Acredito que essas palavras não estejam no dicionário e vocabulário desses seres repugnantes, egoístas e individualistas.
O individualismo é o câncer deste século. Cada um por si. “Eu me importo comigo. Fodam-se os outros.”
Se você pensa assim, não perca seu tempo em sair de casa para incomodar o público que realmente vai ao teatro para curtir um evento. Permaneça em sua residência. É o melhor que você faz.
Mais vale um teatro com “meia dúzia de gatos pingados” do que um teatro lotado de “bobos, tolos e retardados”.
Sinto falta de mais disciplina e rigor nos eventos culturais. Fulano chega atrasado em um evento e consegue entrar. Se permanecesse calado, tudo bem. Mas não!!!! Faz questão de verbalizar que não está enxergando devido à escuridão da plateia, tropeça nos degraus, nas pernas das pessoas, liga a lanterna do celular para procurar uma poltrona vazia, etc., etc., etc. Estão transformando o teatro na casa da mãe Joana. Além de incomodar os atores, infernizam também o público.
Lembro-me muito bem do rigor de Edeméia Pereira, diretora do Núcleo de Artes Cênicas do Teatro do SESI de Sorocaba, nas décadas de 1980 e 1990. Seus espetáculos começavam pontualmente, às 20h30, e após o início da sessão, se chegasse o Papa às 20h31, não entraria em hipótese alguma. É desse pulso firme que o teatro necessita, senão vira puteiro. Na atual situação, um puteiro é mais organizado que algumas salas de espetáculos. Chegou tarde? Saísse de casa mais cedo.
O público precisa ser (re)educado, porque se as coisas continuarem como estão, não quero nem imaginar aonde iremos parar.
sábado, 23 de agosto de 2014
COM O CORAÇÃO NA BOCA
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| Esta foto em que estou sentado no estúdio do radioteatro, foi tirada por Gerdal dos Santos em janeiro de 2012, em visita que fiz à Rádio Nacional do Rio de Janeiro. |
Eu tinha 7 anos. Era véspera de Natal de 1984. Enquanto minha família estava às voltas com a ceia, eu estava em meu quarto ouvindo rádio. Sintonizava todas as estações, mas nada me agradava. Ao sintonizar uma estação, ouvi o locutor anunciar: "A Rádio Nacional do Rio de Janeiro apresenta: Numa Véspera de Natal, de Josué Montello." e teve início a radioteatralização do conto. Aquelas vozes me despertaram grande interesse, principalmente o sotaque carioca, que, sempre achei lindo. Fechei os olhos e comecei a imaginar como eram as personagens, os cenários e entrei numa viagem deliciosa, apesar de ser um conto adulto. Quando o conto chegou ao fim, fui chamado para cear e enquanto comia, aquelas vozes ficaram reverberando em minha cabeça.
Alguns anos depois passei a ouvir os programas "Entre Dois Mundos" de Ulderico Amêndola e, posteriormente as minisséries radiofônicas de Sidney Carboni pela Rádio Clube de Sorocaba.
O tempo passou, entrei para o teatro e em 2008 enviei uma minissérie para Sidney Carboni que se interessou e, um mês depois, minha história era levada ao ar. Com a morte de Carboni, um ano depois, ao saber que o Núcleo de Radiodramaturgia poderia ser extinto, porque ele era o único roteirista, me ofereci para a direção da emissora para dar continuidade ao trabalho.
De 2009 até o primeiro semestre deste ano, escrevi 53 minisséries, de 5, 10, 15 e 20 capítulos, produzindo 15 laudas diárias e sem colaborador. Escrevi neste período, aproximadamente, 25 mil laudas.
Numa viagem que fiz ao Rio, em 2012, fui ao prédio de "A Noite", localizado à Praça Mauá, para conhecer a Radio Nacional numa visita guiada por Gerdal dos Santos, que com muita cordialidade e simpatia, me apresentou todas as dependências da Rádio: o auditório, a sala onde estavam arquivados os roteiros e as fitas dos programas e o estúdio de radioteatro (parecia que eu estava em outro mundo). Cheguei lá às 10h e saí às 17h, mas minha vontade era a de não sair mais daquele lugar.
Quando soube que o radioteatro voltaria à grade de programação da emissora, vibrei. E passei a acompanhar todos os programas de "Contos no Rádio".
Em conversa com Fabiano de Freitas, mostrei-lhe alguns originais e, algum tempo depois, ele me sugeriu que escrevesse um episódio. Foi um trabalho bem prazeroso: mandei-lhe o primeiro tratamento, depois trabalhamos juntos o segundo tratamento e depois o terceiro.
É hoje! Chegou o dia. Dirigida por Fabiano de Freitas com o Núcleo de Radiodramaturgia EBC-SOARMEC formado por Nely Martins Coelho, Marília Martins, Joice Marino, Mauricio Lima e Luiz Octávio Mendes e com músicas originais e sonoplastia de Leo Tucherman, hoje, às 10h, "Márcia" será levada ao ar pela Rádio Nacional, a mesma rádio que há quase 30 anos atrás me apresentou o radioteatro e onde trabalharam artistas de extrema importância como Amaral Gurgel, Dias Gomes, Janete Clair. Helio do Soveral, Ghiaroni, Paulo Gracindo, Sérgio Viotti, Brandão Filho, Floriano Faissal, entre tantos outros. É muita responsabilidade para mim estar entre esses nomes e espero corresponder as expectativas. Ainda não ouvi o programa, e por isso estou tão ansioso.
Tenho certeza que este será o início de uma longa parceria.
Um grande beijo para todos e muito obrigado.
O link para ouvir, é: http://radios.ebc.com.br/nacionalrioam.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
MINHA ESTREIA NA RÁDIO NACIONAL DO RIO DE JANEIRO
No sábado agora, dia 23 de agosto, faço minha estreia na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. O texto Márcia, de minha autoria, integra a série Contos no Rádio, que irá ao ar, no sábado (23), às 10h com reprise no domingo (24), às 9h, pela Rádio Nacional AM - RJ. E pela Rádio MEC, irá ao ar na segunda (25), às 20h e na quinta (28) às 10h.
A direção leva a assinatura de Fabiano de Freitas, que coordena o projeto com Nely Martins Coelho e o elenco é composto pelos atores: Joice Marino (Regina), Marília Martins (Selma), Nely Martins Coelho (Julinha), Luiz Octávio Moraes (Vado) e Maurício Lima (Marcos). Músicas originais e sonoplastia são de Leo Tucherman. Segue abaixo a chamada do programa.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
VERTIGEM
Minissérie escrita por mim, em 10 capítulos, exibida pela Rede Boa Nova de Rádio através do Núcleo de Dramaturgia, de 21 de julho a 8 de agosto de 2014. (Devido à problemas de transmissão, a primeira semana da minissérie foi reprisada, de 28 de julho a 1 de agosto).
Esta é a minha última minissérie para a Rede Boa Nova de Rádio. Vertigem foi escrita e gravada em 2011 e por abordar temas como racismo e dependência química, foi censurada. Consegui a liberação do censor 3 anos depois de sua finalização.
Esta é a minha última minissérie para a Rede Boa Nova de Rádio. Vertigem foi escrita e gravada em 2011 e por abordar temas como racismo e dependência química, foi censurada. Consegui a liberação do censor 3 anos depois de sua finalização.
sábado, 26 de julho de 2014
CADA OBRA PERTENCE AO SEU TEMPO
Machado de Assis escreveu essa frase numa advertência que abre seu romance Helena. Nesta advertência, ele explica que fez algumas alterações na obra após sua primeira impressão - que pertence à sua fase romântica. Como sabem, se não sabem, saberão, que Machado transitou pelo Romantismo e pelo Realismo - e pede desculpas por soar romanesco, mas que encontrava naquele romance, ecos de sua mocidade.
Recentemente fiz uma revisão e algumas atualizações (principalmente de gírias) de meus textos teatrais. É evidente que meu texto de estreia não é tão maduro quanto meu texto mais recente, mas fazendo essa atualização, tentei nivelá-los.
Hoje, enquanto limpava minha estante de livros, me deparei com a frase de Machado. E cheguei à conclusão que não deveria atualizar minhas peças - até porque as gírias usadas em 1994 são bem diferentes das gírias usadas em 2014.
Fiz essa atualização depois que vi a montagem de uma coletânea de textos de minha autoria pela Escola Recriarte, no ano passado. O grupo fez algumas modificações no texto, o que me estimulou a rever algumas coisas. E essa revisão levou semanas. Se não fizesse isso, poderia ter escrito outra peça.
Outro fator que me fez refletir a esse respeito, foi encontrar em cadernos antigos, os manuscritos das minhas três primeiras peças. Assim que concluía os textos à mão, passava a limpo na máquina de escrever. E quando comprei meu computador, nunca mais fiz isso.
Com a posse dos manuscritos, passando os olhos sobre eles, encontrei alguns diálogos ingênuos, bobos, e até esperançosos, que estão bem distantes daquilo que escrevo atualmente. Mas como foi bom reler isso... Foi como retornar aos meus dezessete anos.
Pois é. Aprendi. Nunca mais revisarei nem atualizarei meus textos. Porque, como disse nosso escritor: "Cada obra pertence ao seu tempo."
quarta-feira, 23 de julho de 2014
LIBERADA PELO CENSOR
Estreou hoje Vertigem, minissérie escrita por mim, em 10 capítulos, que está sendo exibida pela Rede Boa Nova de Rádio, às 13 horas com reprise às 18 horas (reprise só via internet). O endereço é: https://radioboanova.com.br/ Clique em ouvir ao vivo nos horários de exibição.
Vertigem foi escrita e gravada em 2011, mas por abordar temas como racismo e ter algumas ações desenvolvidas na cracolândia paulistana, pois um dos personagens é usuário de crack, foi censurada pela direção da emissora e só seria liberada se eu modificasse meu texto, deixando-o mais ameno. Segundo o parecer da direção, "o texto estava forte demais e o ouvinte poderia pensar que eu fosse racista e, isso, talvez, gerasse problemas para a emissora". Já aviso aos desinformados que não sou racista. Mas meu personagem é. E se é racista, tem que se comportar como tal.
Como não atendi às orientações e não mudei uma vírgula do texto - se é para abordar esses temas, tenho que ser fiel à eles sem fazer concessões - o trabalho ficou engavetado.
Depois de muito tempo, consegui convencer o censor da emissora a liberá-la - fato que ocorreu somente agora, três anos depois de gravada e o que vai ao ar, é a minissérie sem cortes, como foi concebida.
De antemão, aviso aos ouvintes que virão sequências pesadíssimas nesta que é minha última minissérie na emissora.
Pois é. Estou deixando a RBN depois de 6 anos, por questões que é de conhecimento público: desrespeito ao nosso trabalho e por um cachê, que além de ser miserável (ganhei neste período todo, de 2008 a 2014, trezentos reais por mês para escrever 15 páginas por dia, totalizando 300 páginas no mês. Ou seja, um real por página escrita e sem contar com o auxílio de um colaborador; e com os radioatores é pior ainda, que recebem seis reais por capítulo gravado. Isso mesmo. Seis reais por capítulo gravado.), nunca chegou na data que era para chegar. E nenhum dos nossos superiores cogitou a possibilidade de aumento deste salário de fome durante esse período todo.
Agradeço aos ouvintes que acompanharam minhas 53 minisséries, de Uma Canção Pra Você à Vertigem e a equipe de radioatores. Não estaremos mais juntos na RBN, mas vamos dar continuidade aos trabalhos executados na Biblioteca Infantil.
Muito obrigado a todos: Cledemir Araújo, Dado Carvalho, Chico Ribeiro, Luciana Patricia, Quitéria Maria, Claudio Zelizi, Carmem Lara, Maria Cunha, Ofélia Vivi Soll, Rose Rodrigues, Ivone Martins, Adacel Alberto, Osnival Búfalo, Maria Helena Antunes, Fábio Tiago. Lembro também que este foi o último trabalho da atriz Ivone Soares que morreu em 2012. Evidentemente, esse trabalho é dedicado à sua memória.
Em breve, disponibilizarei a minissérie aqui para vocês ouvirem.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
TIRANDO DA COVA
Em março de 2015, a Cia. das Artes Dramáticas - CAD - da qual sou fundador, dramaturgo, diretor, e as vezes ator, completará 20 anos de atividades. Evidentemente que iremos fazer uma festança para comemorar a data, afinal de contas, não é qualquer grupo que completa 20 anos de atividades, praticamente ininterruptas e com 45 espetáculos em seu currículo. E além da programação que contará com alguns espetáculos, estou preparando uma exposição com fotos, cartazes, recortes de jornais, exibição em vídeo das montagens encenadas, enfim, organizar uma espécie de Memorial do CAD.
Só que para fazer isso, é necessário coletar o material. As fitas VHS dos espetáculos já foram convertidas para DVDs, jornais que noticiaram os eventos já foram escaneados e estou criando uns slides em PowerPoint onde o público poderá consultar o histórico do grupo, espetáculos encenados com datas de estreias, temporadas e apresentações extras além de sinopses, fichas técnicas e fotos de cada espetáculo.
Se fosse hoje, seria tudo muito fácil, pois tudo é digital. Agora imaginem em 1995 em que câmeras e máquinas fotográficas precárias registraram os eventos!!!! Está sendo um trabalho do cão escanear fotos, programas, certificados, flyers, para provar que os espetáculos realmente foram realizados. Falar que fez 45 espetáculos, é fácil. Agora, prove! E para provar isso, estou tendo muito trabalho.
Sempre fui muito desencanado com o currículo. Comprava os jornais e guardava numa pasta. A pasta ficava entupida de papeis, comprava outra e quando essa também se enchia de papeis, comprava outra e assim sucessivamente. Só que nunca fui de organizar esse material. Então tem programas e cartazes de uma peça com contrato de locação de espaço de outra e borderôs de outra, então, pacientemente, estou desencovando nas minhas estantes todo esse material. Quero deixar tudo em seus devidos lugares, para depois escanear e além de ter uma cópia física, ter outra em PDF.
Está sendo muito trabalhoso, é verdade, mas quando me deparo com um diário de encenação de algum espetáculo, do qual, evidentemente, não me lembro mais, é muito prazeroso.
Tenho chão pra concluir a tarefa e o que me alivia é que este trabalho deixará frutos e sempre reavivará a memória das pessoas, porque, infelizmente, brasileiro tem memória curta.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
ESSE POVO BRASILEIRO!
Não assisti a nenhum jogo da Copa, aliás, há muito tempo que não vejo e nem me interesso por futebol. Já tentei gritar GOOOL, fazer aquele escândalo todo, mas me sentia um idiota porque o futebol nunca me despertou nenhuma emoção. Não consigo ir na onda da galera que se rasga toda. E como isso não me causa nada, simplesmente não vejo, não torço contra e nem discuto.
O que acho um cúmulo é ver neguinho soltando rojões, soprando as vuvuzelas, gritando: "Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor", quando o time vence uma partida e quando o time perde, o mesmo fulano que se dizia "brasileiro, com muito orgulho e com muito amor", sai por aí cuspindo, rasgando e queimando a bandeira do time em vias públicas. Cambada de imbecis e sem personalidade. Não te ensinaram que em um jogo existem os vencedores e os perdedores? Por que não aceitam a derrota da mesma maneira que aceitam a vitória? Por que não tem a moral de sair gritando: "Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor", após uma derrota como a de hoje e sair empunhando suas bandeiras, soltando rojões e soprando suas vuvuzelas como fazem depois de uma vitória?
Muitas pessoas que estavam vestidas com a camisa do Brasil nas redes sociais já alteraram suas fotos por vergonha. Agora tem vergonha de ser brasileiros? Ah, conta outra! Estúpidos! É que o sucesso te enaltece e o fracasso te desnuda. E é no fracasso que deveriam aprender.
Em minha carreira artística já tive inúmeros fracassos e graças à eles que amadureci e que me estimulou a seguir adiante. E sabe o que me deixa mais revoltado? Esse povo reclama que não tem grana para pagar um ingresso de teatro, mas pra futebol vende até a alma da mãe pro diabo para comprar um ingresso. Já passou da hora de continuar se comportando dessa maneira, não é? Vamos amadurecer? Porque estão se comportando como criancinhas mimadas criadas pela avó com Cremogema.
terça-feira, 8 de julho de 2014
EXCÊNTRICOS
Existe uma padaria, na realidade um risca-faca, onde coisas muito estranhas costumam acontecer, a começar pelo preço. Após as 22h, as mercadorias aumentam de preço. Um miojo, que antes das 22h custa R$ 2,50, após esse horário passa a custar R$ 4,50. Mas as bizarrices não param por aí. Estava voltando pra casa e parei lá com meu primo Leonardo Carrara para comprar algo pra comer. Na hora da fome, a gente come qualquer coisa, mesmo sabendo que se a vigilância sanitária baixasse neste lugar, interditaria o estabelecimento no mesmo instante.
Continuando... o relógio bateu meia-noite e, em menos de cinco minutos, o local estava abarrotado de criaturas excêntricas. Pareciam personagens de Rabelais que se materializaram diante de nós; como se o capeta tivesse aberto as portas do inferno e liberado essa galera para dar um rolê.
Uma mulher com um boné da John John virado do lado, como o do Sérgio Mallandro, entra feito um foguete e pede um corote. Ela estava acompanhada por um velhinho que lembrava muito o Dom Quixote e mal conseguia falar. Enquanto isso, sua companheira, que parecia ter cheirado todas, dizia:
- Dá pra comprar o corote e ainda sobra dinheiro pra gente voltar pra casa de táxi! Ô moça, onde eu pego táxi? - perguntou para a funcionária.
- No ponto de táxi - respondeu a funcionária, estupidamente.
- É que eu nunca andei de táxi. Nem sei como é, mas quero saber. Só andei de bicicleta e de ônibus.
Paguei a conta e saímos do reduto de bufões. No caminho de volta para casa, comecei a questionar com meu primo:
- Onde eles moram? Será que sabem o valor da bandeira dois? Será que tem, realmente, a grana do táxi? E para finalizar: será que ela vai realizar o seu desejo: o de andar de táxi pela primeira vez?
Pena que não soube o final da história.
MUDINHO
Estava com uns amigos numa lanchonete e, numa mesa ao lado, estavam dois caras. Um deles, trajado como malandro carioca dos anos 30, gesticulava muito para um funcionário, que tentava decifrar o que ele queria. Percebi então, que o cara era mudo. O funcionário não entendia de jeito nenhum e o cara que acompanhava o mudinho, esclareceu:
- Ele quer uma cerveja!
Enquanto o funcionário pegava a cerveja, o mudinho continuava a gesticular e a emitir sons ininteligíveis. O amigo do mudinho olhou pra nós e disse:
- Ele é mudo, mas fala pra caralho!
quarta-feira, 2 de julho de 2014
FOFOCAS, FUXICOS E FUTRICOS DE COMADRE
Encontrei-me com uma conhecida em uma lanchonete. Eu estava tranquilamente saboreando meu lanche e lá veio a criatura perturbar o meu sossego. Para não ser mal-educado, comecei a responder suas perguntas.
Aos poucos, percebi que a nefasta mulher estava tentando arrancar de mim alguma informação. Saía pela tangente a todo momento, e, vendo que não conseguia nada, começou a desfiar para cima de mim suas fofocas, fuxicos e futricos de comadre. Em menos de cinco minutos falou da vida de sete pessoas diferentes. E sempre querendo saber a minha opinião.
- O que acha disso?
- Eu não acho nada. As pessoas são livres pra fazer o que bem entenderem.
E nem assim, aquela bactéria se tocava e continuava a destilar o seu veneno, sorrindo e achando graça. Pura maldade mesmo.
Comecei a me irritar e o lanche azedava no meu estômago. Paguei a conta e saí, deixando aquele lixo ali, falando sozinha.
Odeio gente fofoqueira. Se cada um se preocupasse só com o seu rabo, as coisas seriam melhores. Pessoas como este ser repugnante, não merecem nem o meu "Bom dia."
terça-feira, 24 de junho de 2014
FALTA DE TATO
Estava em uma sorveteria me deliciando com meu sorvete de nozes e ferrero rocher e uma mulher grávida entra no recinto. Uma "tiazinha" que estava lá, começou a puxar conversa:
- Oi, minha filha, tudo bem? Quando nasce o bebê?
- No mês que vem.
- Vai ser parto normal ou cesária?
- Ainda não sei. Mas eu quero parto normal.
- Parto normal dói muito. Eu tive dois filhos de parto normal. Fiquei toda rasgada. Aí no meu terceiro filho, eu fiz cesária.
Nisso, os olhos da jovem mãe de primeira viagem começaram a ficar esbugalhados de susto e a "tiazinha" continuou:
- Mas depois de 22 dias que meu filho nasceu, abriu meus pontos e queimava tudo por dentro. Uma dor horrível, menina! Fiquei meses sem poder andar. E ainda tive depressão pós-parto. Não queria ver meu último filho... Resumindo: foi um horror! Você vai sofrer muito.
A garota estava, simplesmente, em pânico...
Que falta de tato, hein, tiazinha????
sexta-feira, 13 de junho de 2014
CIDADE DOS URUBUS
Texto de minha autoria encenado pela Recriarte, com direção de Péricles Martins. Essa abertura expressa bem o universo das minhas obras. Praticamente todos os meus personagens são paulistanos e a Pauliceia é o local que abriga esses seres. Amo muito isso tudo. Acho que a abertura de todos os meus espetáculos poderia ser esta.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
A ÚNICA COMPANHEIRA
Estava voltando pra casa e no meio do caminho me deparei com uma conhecida, uma senhora de uns 60, 70 anos. Ela me parou e perguntou:
- Julio, se eu te pedir uma coisa, você não vai se assustar?
- Eu não me assusto com mais nada.- respondi. - Pode pedir.
- Posso te dar um abraço?
- Claro.
E dei-lhe o abraço.
Ela me agradeceu e, só então, reparei que seus olhos estavam cheios de lágrimas.
- Obrigada pelo abraço. Em dias de chuva, eu fico assim, carente e angustiada. Hoje, por exemplo, não vi ninguém, ninguém me telefonou... É esse o preço que a gente paga por morar sozinha. Ter a solidão como a única companheira. Obrigada.
E foi se afastando, seguindo o seu caminho rumo à sua casa. E eu, permaneci ali, petrificado por algum tempo, vendo-a desaparecer no breu da rua.
Julio Carrara
terça-feira, 20 de maio de 2014
POR QUE DÓI TANTO ESCREVER?
Seria tão mais simples se um escritor não sentisse tantas dores ao escrever. Não falo das dores físicas, como dores nas costas, na lombar ou da tendinite causada pelo excesso de movimentos repetitivos, que são normais, afinal de contas, são ossos do ofício, é o preço que a gente paga por ter escolhido seguir por este labirinto escuro e cheio de obstáculos, mas falo daquelas dores que vem do fundo de nossa alma, dores que muitas vezes aprisionamos e, que, aos poucos, se não tomarmos cuidado, nos levam à loucura. E para que isso não aconteça comigo, eu escrevo. É a forma que encontrei de não precisar visitar psiquiatras e tomar remédios. Muitos me perguntam onde encontro inspiração para escrever. Inspiração eu retiro do ar: inspiração e expiração. Agora, as ideias estão por aí, em todos os lugares. Estou iniciando meu novo texto teatral: Cavalos Selvagens. O ponto de partida para a história é a música Wild Horses,dos Rolling Stones. Tenho muito trabalho pela frente e muitas dores para serem transferidas para o papel. Dando largada neste momento.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
MIMIMI, TITITI, BLABLABLÁ
Que tenha ou não tenha a Copa, tanto faz. Vai ser um caos mesmo. Que exploda essa porra! Que tudo vá pros ares ou por água abaixo.
Vão pras ruas, pros mares, pros ares, vão pra puta que o pariu mas não me encham mais o saco. Parem de reclamar. Só reclamam, reclamam, reclamam.... É muito mimimi, muito tititi, muito blablablá. Estufam o peito pra berrar frases feitas de orelhas de livros aqui, frases feitas do que ouviram falar acolá. E só ficam nisso, batendo na mesma tecla o tempo todo. Que aporrinhação!!!
Muita gente tá lá no meio sem sequer saber o significado de uma manifestação. Por que não se manifestaram antes, quando foi divulgada que a Copa seria realizada no Brasil? Mas como é de praxe, deixam tudo pra depois. Aí a merda já está feita. E depois da cagada feita, a bosta não volta pro cu.
E não duvido que muitos que estão nessas "manifestações" serão os mesmos que estarão nas arquibancadas dos estádios nos dias de jogos, torcendo pelo Brasil.
Nunca gostei, não gosto e nunca vou gostar de futebol. Compartilho da opinião do meu amigo, o escritor Marcelo Mirisola: torço pro futebol acabar.
Por isso vou me isolar em algum lugar e, como um urso, hibernar durante esse período. E só vou acordar depois que essa merda de Copa terminar. Pra quem não é a favor da Copa, só não ver os jogos, não comprar álbum de figurinhas, não comparecer aos estádios, não ligar a TV nem o rádio... Deixem os estádios vazios. Vocês (com exceções, claro) já não fazem isso quando deixam os teatros vazios para ficarem em casa vendo novela? É a mesma coisa.
Agora, ficar lutando contra a Copa nas manifestações, e ali mesmo ficar trocando figurinhas para completar o álbum da Copa... é de cagar quadrado.
Julio Carrara
MEUS TEXTOS TEATRAIS
Um texto só se torna teatral quando ele ganha vida nos palcos. Se está fechado numa gaveta ou numa pasta do computador, é só literatura dramática. Só isso. Acredito que nenhum dramaturgo escreve seus textos para que eles fiquem engavetados cheirando à naftalina. Se escrevem, é para que eles sejam representados o maior número de vezes possíveis por atores, diretores e público das mais diversas regiões e nacionalidades e passando de geração para geração, e que, se possível, torne-se secular.
Por esse motivo, estou divulgando minhas obras aqui para leitura, e porque não, para uma encenação? Vou adorar se isso acontecer. São 30 textos ao todo e eles só podem ser representados no todo ou em parte, seja por que processo for mediante a autorização da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores) - Av. Ipiranga, 1123, 8º andar, Cj. 803 - República - São Paulo e do autor, através do e-mail: julio.carrara@gmail.com. Todo abuso será considerado violação da propriedade intelectual, nos termos dos Códigos Civil e Penal.
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