sábado, 26 de setembro de 2009

HOJE NO JORNAL CRUZEIRO DO SUL

Morre o autor de radionovelas Sidney Carboni
José Antônio Rosa

Notícia publicada na edição de 26/09/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno D


Ele era aquele tipo solitário, recluso, às vezes amargo. Trabalhava perto de uma prateleira de discos, criando histórias que povoaram o imaginário dos ouvintes nas muitas das radionovelas transmitidas em Sorocaba.
Na quinta-feira, por volta das onze da manhã, Sidney Carboni sentiu-se mal e não resistiu a um enfarte fulminante. Morreu, em casa, aos 63 anos de idade. Autor de uma obra vastíssima (dificilmente seus trabalhos poderão ser contabilizados), Carboni saiu de cena, coincidentemente, na véspera do Dia do Rádio, comemorado ontem.
É muito provável que, com ele, desapareçam, também, da programação da Boa Nova (única emissora da cidade a difundir a atração) as radionovelas, que podem ser ouvidas de segunda à sexta-feira das 17h30 às 17h55 pela Boa Nova (sintonizada no 1080 AM).
Junto com Uderico Amêndola, seu mestre, ele era único no ofício de escrever dramas. A menos que haja alguém com disposição para substituí-lo, parece que não teremos mais esse tipo de programa, avaliou o locutor José Carlos Nogueira, que conviveu com Carboni por muito tempo.
Ator, produtor e autor, Sidney Carboni começou, ainda muito jovem, na Rádio Vanguarda. Fez de tudo na profissão: sonoplastia, técnica, locução. Foi, porém, como escritor que se destacou. Assistente de Uderico Amêndola, testemunhou o auge das radionovelas sorocabanas nas décadas de 60 e 70.
Ao mesmo tempo, produzia peças que foram encenadas nos circos Guaraciaba e Novo Mundo. Muitos dos seus dramalhões (Carboni quase nunca escrevia comédia) foram interpretados por nomes consagrados como Jurandir Matheus, Lourdes Soares, Geralda Silva, Agnaldo Espinosa, Neusa Toledo, Gileno Gracco Antunes, Gracinha Sabino, Lia Rubin, Valdemar Kan, Carlos Gomes e Zilá Gonzaga.
No picadeiro do circo teatro, foram montados espetáculos que marcaram época. Um deles, Nossa Mãe Honrarás, chegou a cumprir temporada de sucesso. As pessoas pediam para assistir de novo. Eu nunca tinha visto nada parecido, relembra a radialista Zilá Gonzaga.
Todas as histórias tinham um fundo moral. Carboni preocupava-se em transmitir mensagens positivas, pregava valores éticos, o respeito à família, aos mais velhos. Algumas das principais tramas que ficaram conhecidas do público são de autoria de Carboni. Entre elas, destacam-se Espinhos da Cor, O templo da Solidão, Sol de Primavera, O amanhã será melhor, Onde mora o meu caminho, Além do Horizonte, Uma só carne, A selvagem, O diabo de Manguaribe e Rosa Morena. Muitas delas foram vendidas para rádios de várias regiões do Brasil. O gênero entraria em decadência no final dos anos 70, mas a a Rádio Clube, atual Boa Nova, o manteve no ar.
Atualmente o elenco da emissora reúne, entre outros, os atores Osnival Búfalo, Adacel Alberto, Alba Fortes, Ana Suely Gandiano, Antonio Camargo Leme, Bruno César, Chico Ribeiro, Cledemir Araújo, Elaine Santana, Esther de Almeida, Gastão de Lima Neto, Geane de Paula, Ivaldo de Carvalho, Ivone Martins, Ivone Soares, Lucia Maria Correa, Luciana Florêncio, e Tony de França.
A morte de Sidney Carboni surpreendeu muitos de seus amigos. A apresentadora Zilá Gonzaga, disse ter ficado chocada. Estou muito triste. Ele era uma pessoa carinhosa, amiga, solidária. Introspectivo, quieto, mas um grande companheiro.
A radioatriz Iracema Pires Cavalcanti, que está no Rio de Janeiro, não conteve a emoção. Nós estivemos juntos numa atividade na Biblioteca Infantil Municipal, no Dia do Rádio, em 2007. Foi uma homenagem bonita. Ele era sensível, criativo. Suas histórias comoveram muita gente. Uma perda irreparável.
O técnico Antonio Tadeu Lopes, que trabalho com Sidney Carboni por mais de trinta anos, lembra do jeito arredio do escritor. Não costumava participar de festas, confraternizações, mas foi uma grande pessoa. Vai, sem dúvida, fazer muita falta.
Lopes lembrou que Carboni comandou atrações como O Clube do Rei, programa dedicado às músicas de Roberto Carlos. Fez, ainda, personagens que ficaram famosos, como Dito Né e João do Mato, este criado por Uderico Amêndola, que usava o bordão Vamo acertá o galo?. O corpo de Sidney Carboni foi sepultado ontem de manhã no Cemitério da Saudade. Ele era solteiro.

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